beth, achei a folha escrita:
"Um dia, li no jornal:
Vitória morreu engasgada,
com moqueca.
Não senti pena de Vitória.
Achei engraçado:
era a única morte que lhe cabia."
26 Fevereiro 2009
16 Fevereiro 2009
Encontros no deserto
Bagdad café é um filme de 1987. Eu sempre ouvi falar, mas apenas ontem pude ver. Adorei. 91 minutos de poesia no deserto. Pessoas que se encontram onde se menos espera, na solidão do Mojave: entre a Disneylândia e Las Vegas! muitoa gente e pouca comuncação. O diretor Percy Adion ganhou vários prêmios pela perspicácia em mostrar encontros onde só esperamos passagens. Vendo novamente dá vontade de fazer uma coletânea sobre a comunicação em filmes deste tipo. As pessoas estão empenhadas em dizer coisas iguais por meios diferentes – música, pintura, tagarelar -, e, por incrível que pareça, é o estrangeiro quem conecta a comunicação entre elas. Falamos muito, mas como é difícil se comunicar.
12 Fevereiro 2009
Quilombolas de Presidente Kennedy - ES
Fotos de Leonardo Merçon muito interessantes sobre as comunidades Quilombolas de Presidente Kennedy no sul do Espírito Santo. Um cuidado especial deve ser com relação ao texto que busca na descrição exótica superar a falta de informações sobre a comunidade. Um exemplo: "it is one of the community's oldest residents and she still maintain many old slaves' habits that she learned with her mother. In her daily life she still walks with the nude breasts, a common behavior for the ex-slaves." (clique no título para acesar as fotos)embaralho
No teto a cama refletida
Feito carta de baralho
Reis e rainhas nus
Desfilam seus monólogos.
Seriam outros corpos
das mesmas vontades
Que não saciam
Senão se adiam
Um, dois, quinze
E ainda pulsando
Quase evaporamos
Quase dissolvemos
Agora as conchas
De suas mãos
De sua boca
De sua vulva
Pequena rosa
Dilatada pelo vento
Que sopra forte
Pelas pétalas pequenas
Feito carta de baralho
Reis e rainhas nus
Desfilam seus monólogos.
Seriam outros corpos
das mesmas vontades
Que não saciam
Senão se adiam
Um, dois, quinze
E ainda pulsando
Quase evaporamos
Quase dissolvemos
Agora as conchas
De suas mãos
De sua boca
De sua vulva
Pequena rosa
Dilatada pelo vento
Que sopra forte
Pelas pétalas pequenas
04 Fevereiro 2009
Austrália
No filme Austrália, o colonialismo e o racismo vitoriano britânico são retratados de maneira superficial, romântica e ao mesmo tempo contraditória. O filme é monótono com várias seções em que se anuncia um fim, com por do sol e musiquinha, mas que é na verdade um novo capítulo da saga de uma viúva e um capataz.
A platéia riu muito das aparições misteriosas de um Xamã aborígene que cantava para o vento, os caminhos e para seu neto mestiço. Uma pena as risadas para um drama racista que apenas em 1973 foi abolida e em 2003 foi assumida como equívoco pelo governo britânico.
em outro filme "Geração roubada" (http://www.duplipensar.net/artigos/2007s1/resenha-do-filme-geracao-roubada-aborigines-estado-australiano.html) a sitação de genocídio por que passaram os filhos nascidos de casamentos mistos é mais convincente. Arrancados de suas mães para "não contaminarem" gerações futuras com seu "sangue impuro" e entregues aos missionários cristãos, esta geração "café com leite" é retratda no filme como sem identidade até que o garoto volta para seu avô nas savanas da região.
Enquanto isso todas as mortes trágicas são protagonizadas pelos vilões brancos e pelos heróis aborígenes que entregam sua vida para salvar o casal perfeito do filme. O filme tem cerca de duas horas que perecem cinco. No final a gente desconfia que vai acabar.
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